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Ex Fumantes LTDA., de Stephen King

Morrison esperava por alguém que estava retido no engarrafamento de trafégo aéreo sobre o aeroporto internacional Kennedy quando avistou um rosto conhecido na outra extremidade do bar e foi até lá.

― Jimmy? Jimmy McCann?

Era ele. Um pouco mais pesado do que quando Morrison o vira na Exposição de Atlanta, no ano anterior, mas, fora disso, parecendo em espantosa forma física. Na universidade, McCann fora um magro e pálido fumante inveterado, desses que acendem um cigarro na guimba do outro, com o rosto sumido atrás de um enorme par de óculos de aro de tartaruga. Aparentemente, mudara para lentes de contato.

― Dick Morrison?

― Exato. Você está ótimo.

Trocaram um aperto de mãos.

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Campo de batalha, de Stephen King

― Sr. Renshaw?
A voz do recepcionista deteve-o a meio caminho do elevador e Renshaw voltou-se, impaciente, passando a maleta de vôo de uma mão para outra. O envelope em seu bolso, cheio de notas de vinte e cinqüenta dólares, estalou audivelmente. O trabalho correra bem e o pagamento fora excelente ― mesmo depois da dedução dos 15% de comissão cobrados pela Organização como taxa de agenciamento. Agora, tudo que ele queria era um chuveiro quente, um gim-tônica e dormir.
― O que é?
― Uma encomenda, senhor. Quer assinar o recibo, por favor?
Renshaw assinou e fitou pensativamente o pacote retangular. Seu nome e endereço estavam escritos na etiqueta gomada, numa caligrafia inclinada que lhe parecia familiar.
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Caminhões, de Stephen King

O nome do sujeito era Snodgrass e percebi que se aprontava para fazer alguma maluquice. Arregalara os olhos, mostrando o branco, como um cão prestes a brigar. Os dois garotos que entraram derrapando no estacionamento com um velho Fury tentavam falar com ele, que mantinha a cabeça inclinada para um lado como se estivesse ouvindo outras vozes. Tinha uma barriguinha de chope que aparecia sob o terno de boa qualidade que já estava começando a ficar brilhante nos fundilhos das calças. Era um vendedor e mantinha a maleta de amostras perto de si, como um cão de estimação adormecido.
― Tente o rádio outra vez ― disse o motorista de caminhão sentado ao balcão.
O cozinheiro de minutas sacudiu os ombros e ligou o rádio. Tentou sintonizá-lo em toda a faixa de ondas, mas só conseguiu captar estática.
― Passou muito depressa ― protestou o motorista de caminhão. Pode ter saltado alguma estação.
― Diabo ― resmungou o cozinheiro.
Era um negro idoso com um sorriso de dentes de ouro e não encarava o motorista.
Olhava para o estacionamento através do janelão que ia de ponta a ponta da lanchonete.
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A saidera, de Stephen King

Passavam quinze minutos das dez horas e Herb Tooklander estava pensando em fechar a casa quando o homem de sobretudo elegante e rosto branco de olhos esbugalhados entrou de repente no Tookey's Bar, que fica na parte norte de Falmouth. Era dez de janeiro, exatamente a época em que o pessoal está aprendendo a viver confortavelmente com todas as promessas de Ano-Novo que quebraram e lá fora soprava uma violenta tempestade do nordeste. Havia caído quinze centímetros de neve antes do anoitecer e a nevasca continuava feia e forte desde então. Por duas vezes Tookey vira Billy Larribee passar na elevada cabine do trator de limpar neve da prefeitura e, na segunda vez, correra até lá para levar-lhe uma cerveja ― um ato de caridade, como diria minha mãe, e meu Deus sabe que ela gastou um bocado de dinheiro com cerveja de Tookey no seu tempo. Billy informou que estavam conseguindo manter o trânsito livre na estrada principal, mas as secundárias estavam bloqueadas e deveriam continuar assim até a manhã seguinte. A rádio de Portland previa mais trinta centímetros de neve e um vento de sessenta e cinco quilômetros por hora para empilhá-la.
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A mulher no quarto, de Stephen King

A questão é: Será ele capaz de fazer aquilo?
Ele não sabe. Ele sabe que ela as mastiga de vez em quando, fazendo caretas por causa do horrível gosto de laranja, emitindo um som de palitos de picolé sendo partidos. Mas estas são pílulas diferentes... cápsulas de gelatina. O rótulo da caixa diz: COMPLEXO DARVON. Ele as encontrou no armário remédios dela e rolou-as na mão, pensando. Era um remédio que o médico receitara antes de ela voltar a ser internada no hospital. Algo para passar a noite. O armário está cheio de remédios, cuidadosamente arrumados em fileiras como frascos de drogas de curandeiro. Sinais do mundo ocidental. SUPOSITÓRIOS FLEET. Ele jamais utilizou um supositório na vida e a idéia de enfiar no reto algo gorduroso que se derrete com o calor do corpo causa-lhe repulsa. Não existe dignidade em enfiar coisas na bunda. LEITE DE MAGNÉSIA DE PHILLIPS. FÓRMULA ANACIN PARA ARTRITE. PEPSO-BISMOL. E assim por diante. É possível reconstituir o progresso da moléstia dela por meio dos remédios.

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A máquina de passar roupa, de Stephen King

O Guarda Hunton chegou à lavanderia quando a ambulância já partia ― devagar, sem sereias ou luzes piscando. Mau presságio. Lá dentro, o escritório estava abarrotado de pessoas inquietas e caladas, algumas das quais choravam. A lavanderia propriamente dita estava vazia; as grandes lavadoras automáticas na extremidade oposta nem mesmo tinham sido fechadas. Aquilo fez Hunton ficar muito atento. A multidão devia estar no local do acidente, não no escritório. Era o que costumava acontecer: o animal humano possuía uma compulsividade inata para ver os restos mortais. Então, fora coisa muitíssimo séria. Hunton sentiu um aperto no estômago, como sempre acontecia quando o acidente era muito grave. Quatorze anos de remover restos humanos de rodovias, ruas, sarjetas em frente a arranha-céus altíssimos não haviam conseguido eliminar aquela leve contração na barriga, como se alguma coisa maléfica se tivesse coagulado ali.